O que comparar antes de escolher como atuar
O planejamento tributário começa com os números reais da atividade, não com uma faixa de faturamento que serviria para todos. Atuar como pessoa física ou por uma pessoa jurídica envolve tributos, contribuições, custos de manutenção, obrigações acessórias e a forma como os valores são recebidos. A análise deve considerar também o município e a situação de cada profissional.
A Receita Federal esclarece que o exercício individual da odontologia não transforma automaticamente o profissional em pessoa jurídica. Consulte a orientação sobre profissionais liberais.
Pessoa física: registre receitas e despesas corretamente
Para comparar cenários, reúna os recebimentos por mês, as despesas documentadas, as contribuições e o imposto efetivamente apurado. Não confunda alíquota máxima do IRPF com percentual incidente sobre todo o faturamento. O cálculo depende da base tributável e das regras aplicáveis ao período.
Desde 2025, dentistas que prestam serviços como pessoa física estão entre os profissionais obrigados a emitir o recibo eletrônico Receita Saúde. Veja a orientação da Receita Federal sobre o Receita Saúde. A emissão do documento e a escrituração devem refletir os pagamentos reais.
Pessoa jurídica: compare regimes com dados completos
Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real têm bases de cálculo e obrigações diferentes. A alíquota nominal isolada não mostra o custo final. Peça ao contador uma simulação que inclua tributos, contribuição previdenciária, pró-labore, folha, despesas contábeis e efeitos sobre a distribuição de resultados.
No Simples Nacional, a odontologia está entre as atividades sujeitas ao fator R. A tributação pode seguir o Anexo III ou o Anexo V conforme a relação entre folha e receita no período de apuração. A orientação do Simples Nacional explica o critério de 28%. Esse percentual não significa que aumentar o pró-labore sempre gera economia: o efeito total precisa ser calculado.
Outro ponto que exige atualização é a distribuição de lucros e dividendos. As regras mudaram para pagamentos realizados a partir de 2026; portanto, não trate toda distribuição como automaticamente isenta. Consulte a atualização da Receita Federal e peça uma análise aplicada ao caso da clínica.
Planilha mínima para conversar com o contador
- Receita mensal dos últimos 12 meses, separada por tipo de serviço e unidade.
- Custos, despesas e comprovantes efetivos do mesmo período.
- Folha, pró-labore e encargos pagos ou previstos.
- Local de prestação dos serviços e regras municipais relevantes.
- Composição societária e forma de retirada de valores.
Solicite uma comparação escrita com premissas, memória de cálculo, obrigações acessórias e data das regras usadas. Revise a projeção quando mudar a receita, a equipe ou a legislação. Uma simulação genérica com promessa de economia mensal não substitui essa análise.